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sábado, 19 de fevereiro de 2011

A CIGARRA E A FORMIGA – La Fontaine (Tradução de Bocage)

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restava migalha
Que trincasse, a tagarela
Quis valer-se da formiga
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
Té voltar-se o aceso estio.

"Amiga – diz a cigarra –
Prometo à fé d'animal.
Pagar-vos antes de agosto
Os juros e o principal."

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
"No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: "Eu cantava
Noite e dia, a toda hora."
– Oh! bravo, torna a formiga;
Cantavas? Pois dança agora!

Jean de La Fontaine
(1621-1695), poeta e fabulista francês.
Tradução de Bocage.