by Image After
Por mais absurdo que
pareça, o que vou contar aconteceu de verdade. Encontrei-me ontem com um
louva-a-deus. Ele estava na janela, espreitando não sei o quê. Tão elegante!
Esses bichos têm olhos enormes que me impressionam desde a infância. Você já
viu um louva-a-deus bem de pertinho?
Pus-me a falar com ele.
A essa altura da vida, que importa se me virem de papo com esta ou qualquer outra
verdíssima e minúscula criatura, tão filha da natureza quanto eu?
Dei-lhe boa noite. Não
respondeu. Ou respondeu? Olhou-me fundo e entreolhamo-nos. Um bicho sabe ver
outro bicho. É possível que ele tenha sentido pena de eu não ter nascido pequeno, nem tão leve como ele. Mas talvez tenha lembrado que há bichos menores
do que ele e, sendo assim, não há razão para lamentar nada nem o tamanho de ninguém.
O louva-a-deus entrou pelos meus olhos, enquanto eu mesmo entrava
pelos seus. E, mais que isso, nós nos
entendemos naquela hora.
Talvez o louva-a-deus tenha me enxergado bem pequenininho... Sentiu pena de eu não ser como ele. Talvez tenha rezado por mim, de mãos postas, em seu ofício de ser cavalinho-de-deus e mais orante do que eu.
Talvez o louva-a-deus tenha me enxergado bem pequenininho... Sentiu pena de eu não ser como ele. Talvez tenha rezado por mim, de mãos postas, em seu ofício de ser cavalinho-de-deus e mais orante do que eu.
O louva-a-deus
sentiu-se seguro em minha presença, não me viu como ameaça, e eu não era.
Estendi-lhe a mão, ele subiu nela, airoso como não pode deixar de ser. Uma
gratidão sem medida me invadiu. Então ele voou, naquela indiferença que
não agride, quando partir não é abandonar.
Antonio
Fabiano
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