sexta-feira, 20 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
TERRA, RIO, POESIAS E CANÇÕES - Chumbo Pinheiro
TOQUE - LIVROS E CULTURA
Hoje abro espaço para uma resenha do crítico Chumbo Pinheiro, o pseudônimo de Luís Pereira da Silva, que é ensaísta, Bacharel em História pela UFRN, cursa Ciências Sociais na mesma Universidade. Autor de Alguns Livros Potiguares (ensaios) e coautor do livro Nei Leandro de Castro - 50 anos de Atividades Literárias.
Carlos de Souza
[fcarlos@tribunadonorte.com.br]
Publicação: 04/03/15
Terra, rio, poesias e canções
Chumbo Pinheiro
As divisas geográficas da Paraíba e do Rio Grande do Norte mostram-nos que entre estes dois estados brasileiros existe uma interterritorialidade. O Rio Grande do Norte adentra a Paraíba e a Paraíba o Rio Grande do Norte. A terra se irmana num entrelaçamento geográfico aproximando-se além do físico relevo, do clima, da hidrografia, mas também na arte e na cultura fortalecendo suas relações fraternais.
A terra potiguar se orgulha de ter registrado entre seus poetas a paraibana Zila Mamede. Aqui Zila se encantou e encantou-se. Conjugou solidão, amor, terra e mar em versos que navegam pelo Brasil inteiro. Zila sertão, agreste, mas, sobretudo mar. Mar natalense.
Chega-nos a poesia de outro paraibano de coração potiguar. Este traz em suas mãos, por entre os dedos, os grãos da areia, o pó da terra que compõe o chão sertanejo de onde nascem suas canções como raízes que se fortalecem e crescem sob o sol abrasador e o clamor pela chuva. Ei-lo inteiro, no soneto ALMA POTI: “Em chãos da Paraíba eu nasci / Mas cedo vim morar no Rio Grande. / Minh’alma fez-se então monja poti, / Aberta a toda sina que Deus mande.” Terra de chuva escassa, mas berço onde nasce o rio que dá nome ao estado. Nasce em Cerro Corá, terra que acolheu o poeta, e cortando cidades segue seu rumo, abriga o porto de Natal que recebe navios que vão e vêm, além-mar, deixando saudades e levando lembranças. O olhar do poeta traz uma perspectiva nova aos que cantam o Potengi já desaguando e encantando com o seu pôr do sol. Ele o vê da nascente aonde “Nas águas cálidas / Do Potengi / Vai rosa flor / Boiando... / O rio desce serras / Cruza montes / Molha pedras / Abre chãos...” (ÁGUAS DO POTENGI).
A poesia de Antonio Fabiano nasceu ali no sertão com a força e a sensibilidade do sertanejo. Uma poesia feita com inspiração, mas também com rigor metódico e estudo singular. Abre o livro com sonetos, muito bem analisados pelo prefaciador Wilson Azevedo “... Cancioneiro da Terra revela um poeta em pleno domínio do verso...” e seguem-se seis partes as quais como a primeira trazem o substantivo LÍNGUA em seu título, denotando a fala, a expressividade sonora, vocal e espiritual da natureza e da pessoa humana. Dos sonetos ao verso livre, deste ao canto e a écloga (poesia pastoril dialogada pelos campesinos, nos versos do poema AVE CORAÇÃO há essa proximidade), formas antigas que o autor reaviva dando sentido ao título da obra: Cancioneiro da Terra, conjunto de formas poéticas reunidas em um só livro, demonstrando um diálogo hoje cada vez mais intenso do homem contemporâneo e sua arte, com a arte moderna, com o passado e a história.
A diversidade das formas não compromete o autor e nem a obra. Ao contrário, põe o leitor diante da trajetória da própria poesia. Não de forma cronológica, uma que vez, as formas antigas estão inseridas em seu conjunto. Das línguas de pedra e fogo ou línguas de anjos até as línguas avoengas, notamos o encontro do poeta no seu tempo a dialogar com os seus antepassados, com a esperança e a fé sertaneja na vida permanente do rio, no sonho de asas das aves de arribação, fé e esperança nos homens e na chuva que venha talvez do mar e nas lembranças avoengas.
Publicou-se na Tribuna do Norte em 04 de março de 2015
http://tribunadonorte.com.br/coluna/2023
quinta-feira, 5 de março de 2015
101 LIVROS DO RN por Thiago Gonzaga
101 Livros do RN (que você precisa ler).
Três anos divulgando a literatura potiguar na Web!
Livro do mês.*
Surpreendeu-me positivamente a leitura da obra “Cancioneiro da Terra” do escritor Antonio Fabiano. Acredito que é um dos melhores livros de poemas publicados nesses últimos anos em terras potiguares. Nos poemas, o autor demonstra sensibilidade e muita inspiração aliada à composição e ao trabalho com a arte das palavras.
A poesia de Antonio Fabiano tem gosto de chão, tem apelo, sentimento telúrico. De anseio e cuidado pela arte poética. Em “Alma Poti” o poeta canta a sua missão; em “Encanto”, surpreende-se com as maravilhas da natureza; em “Alma do Vaqueiro”, ele canta a solidão e o sofrimento do vaqueiro. Detalhe: na grande maioria, os poemas, foram feitos em uma forma clássica, ou seja, o soneto.
Todavia, variando as formas, Antonio Fabiano expressa suas ideias, emoções e inquietações, constituindo um rico acervo poético. E consegue interagir com outras pessoas, pela linguagem que utiliza.
O seu trabalho está recheado de plurissignificações; os poemas carregam em sua essência sensações e valores do eu lírico, e o significado de que tudo vai sendo construído de modo a provocar, despertar o leitor. Sua preocupação com a feitura dos poemas, com a organização do texto, evidencia a função poética da linguagem, e deixa clara a intenção estética do trabalho.
O jovem poeta começa sua trajetória literária com bastante eficiência e muito valor.
*Thiago Gonzaga é pesquisador, especialista em literatura potiguar pela UFRN.
Fonte: http://101livrosdorn.blogspot.com.br/2015/02/livro-do-mes.html
Publicado na quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
A TÍTULO DE ARREMATE
A TÍTULO DE ARREMATE
Clauder Arcanjo
clauderarcanjo@gmail.com
Para Antonio Fabiano
Ouço os versos do Cancioneiro da Terra
E sinto que há sertão na calçada
Na praça calada, na frente da casa fechada
No olho cego da multidão muito assustada
No bem-te-vi festivo e sempre (in)oportuno
No beiral da mansão quase orquestrada
No salão de festas, cheio e vazio de fadas
No queijo ofertado na mesa grande e farta
No assobio do vigia clamando pela madrugada
No rouxinol invisível, perdido no verão assombrado
Na rapariga que caminha cambiante; hoje, assexuada
No jornal que cospe sangue nas páginas dobradas
No matuto que há dentro mim, apesar de amansado.
Leio e releio a poética de Cancioneiro da Terra
E... pressinto que há canção nesta saudade alada.
Jornal O Mossoroense
em 11 de janeiro de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
TARDE DE AUTÓGRAFOS NA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS
Este livro é meu...
...e esta mão é minha!
Em autógrafo...
Antonio Fabiano, Iara Maria Carvalho, Leonam Cunha, David Leite
Rizolete Fernandes e Antonio Fabiano

Com membros da Ordem Terceira do Carmo

Com membros da Ordem Terceira do Carmo
Há pouco cheguei de Natal. Dia 21 de janeiro aconteceu, como estava previsto, na Academia Norte-rio-grandense de Letras, o lançamento do Cancioneiro da Terra. Confesso que não queria, resisti bastante, por timidez e apatia, além de considerar-me absolutamente indigno da honra que é lançar um livro naquela egrégia casa.
David Leite, um dos editores da Sarau das Letras, e o forte aliado Paulo de Tarso Correia de Melo, poeta, demoliram uma a uma as minhas ressalvas, com o terrível poder de persuasão que ambos têm. O evento foi formidável, especialmente pela possibilidade de haver encontrado tantas pessoas!...
Em primeiro lugar quero agradecer aos nomes que citei, pela amizade e atenção. Do mesmo modo quero manifestar minha gratidão aos também amigos empenhados no evento: Leonam Cunha e Rizolete Fernandes. Esta, figura tão encantadora, nome de grandíssima importância das letras do meu estado, dignou-se, durante todo o evento, ficar na recepção, acolhendo os que chegavam com as doações que foram enviadas ao Lar da Criança Pobre de Mossoró. Não precisariam entrar, para ver este, os que ali chegassem; mais que suficiente era entreter-se com a incrível e iluminada mulher!
Obrigado a todos que passaram por lá: Socorro e Brito e Silva, que trabalharam com excelência na capa e no projeto gráfico do livro; diversos escritores, próximos e muitos dos quais eu até então só os conhecia de renome; membros da Academia; velhos amigos, conterrâneos meus da cidade serrana de Cerro Corá; de Currais Novos; de Acari; de Mossoró; de outros estados, como os carmelitas da Ordem Terceira do Carmo que souberam do evento pela imprensa e até lá foram, num gesto fraterno muito bonito; amigos e leitores de Natal. Muito obrigado!!!
Em tempo: fui ao Rio Grande, antes de tudo e principalmente, para celebrar os noventa anos da minha avó Ignácia Igná Dantas. “Vocês e seus anos eternos!”, diz-me um amigo, sobre a longevidade dos membros da minha família. “Não viverei tanto!”, adianto.
Após o lançamento do livro fui caminhar, alta noite, pela orla de Ponta Negra, aonde sempre vou, quando estou em Natal.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
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