terça-feira, 20 de março de 2018

SEISHIN 清心

Seishin  清心 é o haimei, nome haicaístico, de ANTONIO FABIANO, carmelita descalço e poeta brasileiro.
Sua incursão no haicai se dá a partir do final da década de 1990, quando estudou poética clássica na faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e teve contato com este gênero literário nascido no Japão.
Seishin é discípulo de Teruko Oda no haikai dô, sobrinha e discípula de H. Masuda Goga, discípulo de Nenpuku Sato, discípulo de Kyoshi Takahama, discípulo de Shiki, o último, em ordem temporal, dos quatro grandes mestres de haicai do Japão, ao lado de Issa, Buson e Bashô.
Em 2015 recebeu o honroso Prêmio Yoshio Takemoto, conferido pela Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil, por uma coleção de haicais intitulada “O Cravo no Peito”.
Em 2017 ganha o Prêmio Matsuo Bashô de Poesia Haicai, da Editora Mondrongo, pelo livro Aragem.

quarta-feira, 14 de março de 2018

A PALAVRA "ARAGEM"

Capa de Ulisses Góes

A palavra ARAGEM – título original deste livro no Brasil – significa em português “vento brando”, “vento que cessa e recomeça em intervalos”, “vento descontínuo”. Significa também “momento favorável” ou “de boa sorte”. Aragem é um kigo de primavera, é o mesmo que brisa. No livro de kigos do Brasil – Natureza: Berço do Haicai de H. Masuda Goga e Teruko Oda – o vocábulo é definido como “ventinho gostoso”. Em português, a palavra aragem está igualmente relacionada ao verbo arar, que é sulcar a terra com um arado, instrumento agrícola, ou sulcar as águas, navegar.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

PRÊMIO MATSUO BASHÔ DE POESIA HAICAI 2017


Prêmio Matsuo Bashô de Poesia Haicai 2017
Reunidos nesta tarde de quarta-feira, dia 6 de dezembro, em Salvador, a comissão julgadora do Prêmio Matsuo Bashô de Poesia Haicai 2017, composta pelos poetas Carlos Verçosa, João Filho e Gustavo Felicíssimo, definiram (por unanimidade) o livro “Aragem”, de Antonio Fabiano, de São Paulo, SP, (pseudônimo Seika), como o grande vencedor. Ressalte-se, ainda, a qualidade inequívoca de outros três livros: “Mãos vazias”, de Neide Rocha Portugal, de Bandeirantes, PR, (pseudônimo Aratru), “Imagem”, de Severino José, de Goiânia, GO, (pseudônimo Se-Gyn) e “Olhem as aves do céu”, de Sérgio Francisco Pichorim, de São José dos Pinhais, PR (pseudônimo Andante).

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Jornal SulBrasil - Fronte Cultural por SILVÉRIO DA COSTA

Jornal SulBrasil
Chapecó, Quinta-feira, 20 de Julho de 2017
Ano 23 Edição 6.926

Fronte Cultural
...E HAJA PÉS!...
Por Silvério da Costa

“Nas Pontas dos Pés” é o título do livro que acabo de ler. O seu autor chama-se Antonio Fabiano, um poeta natural da Paraíba, que mexe com o imaginário dos leitores, fazendo-os pensar e enchendo de orgulho a sua geração.
“Nas Pontas dos Pés” é uma obra que permeia o lado existencial da vida e suas contrariedades, exaltando a natureza, a solidão, a saudade, as discrepâncias sociais e até a morte, como símbolos poéticos, através de palavras que se identificam com a linguagem existencial, revestida por um viés típico da contemporaneidade, ancorada num conceito todo seu de poetar, com um ritmo empolgante, fincando na musicalidade das palavras e revestida de visionária efervescência poética, inerente ao seu processo criativo com versos e poemas de dimensões espaciais diferentes e efeitos estéticos que deslumbram!
O autor chega, até, a retroagir no tempo, trazendo para o presente imagens do seu passado, preservando uma linguagem poética densa, às vezes, até, enigmática, mas concebida, sempre, de acordo com os preceitos poéticos que norteiam a arte de poetar, usando, inclusive, a metalinguagem para falar do próprio poema. Está, pois, de parabéns o autor! Mas... melhor que falar dele é ler seus poemas! Vejam...


TRANSGRESSÕES

Papai queria que eu fosse Doutor.
Me fiz poeta...
Foi tão constrangedor!
Mas disfarçaram.

Depois pediram um neto.
Eu disse: Padre.
Mamãe levou três dias só chorando
E quase um ano pra se recompor.

A minha vida foi a um só tempo
Pequena e grande
Em suas transgressões...

O que direi nesta altura
Aos que pedirem conta da minh’alma?


APÓCRIFOS

A letra mata
Mas também dá vida.
Sei o que quer dizer
Fora do cânon
Em meu mundo e livro apócrifos:
A palavra se fez carne...

Escrever dói.
Contudo, quero!
  

ESTRIDÊNCIA

Há dias de sagrado ócio
Em que a vontade é de
Não fazer mais nada

Só beber a estridência de estar aqui
Como quem bebe o canto
De cigarras e grilos

Brindar sua canção
Às vezes tão incômoda
Como a vida

Esta vidinha
Que não trocamos por nenhuma
Das eternidades.
  

O CORPO

O corpo nasce
E se expande
Em sua natureza física
E psíquica.
Pelas ruas de suas veias
Trafegam carros de sangue.
Nos pés põe meias.
O corpo ama
E brinca de se esconder.
Veste-se de beleza
E despe-se
Com igual destreza.
Finge que é eterno
– e talvez seja.
Deitado
Dorme e sonha
O que deseja. 


A VIDA

A vida
Com sua alegria
Despudorada
Calca
Aos pés
O engenho
De nossos
Comedimentos.
Apurada
Passa
Entre grave e risível.

Ninguém a detém.


DE REPENTE O POEMA

De repente o poema me laça
Me maltrata
Dá na minha cara
Dita as regras
Não se entrega
Me consome
Mostra o dedo
E some...
Rouba o meu sono
Desdenha a técnica
Cospe na língua
Da minha língua
Depois fica mudo
Aí fala fala
Grita geme
E para.
Vem quando quer
Diz que é mulher
Mostra seu sexo
Depois vira homem
Coça-se
Azara
Mija no poeta
E – ops! –
Foi-se embora...