segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AKIRA KUROSAWA - Grande Mestre do Cinema Japonês. "Rapsódia em Agosto", o filme.


O cineasta Akira Kurosawa (1910-1998)
Foto Divulgação



RAPSÓDIA EM AGOSTO

Título Original: Hachigatsu no Kyoshikyoku (“hachi-gatsu no kyôshikyoku”)
País de Origem: Japão
Ano: 1991
Duração: 98min
Diretor: Akira Kurosawa
Elenco: Richard Gere, Fumiko Honma, Hisashi Igawa, Mitsunori Isaki e outros.

Este filme faz parte da última fase do diretor. A partir de 1975, Kurosawa precisou de dinheiro estrangeiro para viabilizar seus projetos. Consagrou-se no exterior, mas já não era bem visto pelos produtores de seu próprio país. Vítima do ressentimento do Japão em relação ao Ocidente, vigente desde o fim da Segunda Grande Guerra, ele foi chamado de diretor de exportação.
Akira Kurosawa foi um dos cineastas mais importantes do Japão. Seus filmes – dirigiu mais de 30 – até hoje influenciam artistas de todo o mundo. É considerado um dos diretores mais importantes da história do cinema.
Dizem que ele se desesperava se o sol ousasse fugir, durante as filmagens, antes que a tomada perfeita, com a exata luz por ele imaginada, tivesse sido feita.

Outros dois filmes de Akira Kurosawa, mais recentes e bem acessíveis (isto é, possíveis de se achar em locadoras comuns): Yume (na locadora diga “Sonhos”), de 1990 e Madadayo (br.: Madadayo; pt.: Ainda Não!) de 1993.

sábado, 20 de novembro de 2010

A JARRA VAZIA

Inclinei meu coração
E foi como se tivesse deitado uma jarra
Derramando toda a água...

Uma jarra vazia, o que vale?
E esta água no chão?

Quem soube isso
Soube o amor
De Deus ou dos homens...

O amor.

Antonio Fabiano
Direitos reservados

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

RACHEL DE QUEIROZ

Rachel de Queiroz (1910-2003)
Imagem disponível na Web.


Rachel de Queiroz faria hoje 100 anos...
Nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza - CE.
Escreveu romances, peças de teatro e muitas crônicas.
Estreou na literatura com o famoso “O Quinze” (1930).
Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (1977). Foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões (1993).
Aos 82 anos lançou seu romance “Memorial de Maria Moura” (1992).
Esta última é a mais extensa e complexa de suas obras.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 04 de novembro de 2003.

Seu centenário de nascimento será marcado pela publicação de um livro inédito de poesias: MANDACARU. Edição em fac-símile, esta obra se lança hoje pelo Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. São dez poemas, versos da juventude, com temas nordestinos. Rachel escolheu nunca publicá-los, projetando-se acertadamente como romancista. Mais de oito décadas passadas, vem à luz esta raridade.
Como será Rachel em versos?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

FERREIRA GULLAR, EM ALGUMA PARTE… AQUI!


O poeta Ferreira Gullar em fotografia de Antonio Fabiano

Ferreira Gullar, o poeta, esteve semana passada aqui em Belo Horizonte, na Academia Mineira de Letras, para bater um papo conosco, bem informal mesmo!, e lançar seu novo livro, “Em alguma parte alguma”. Foram onze anos de silêncio poético, o que parece muito no tocante a alguém que é tão presente e ativo no cenário intelectual brasileiro. E por que não dizer, também, político? Quem não se divertiu ou se irritou – dependendo de qual lado estivesse! – lendo suas crônicas dominicais, nada poéticas, destes últimos meses que precederam as eleições da República? Pois é, infeliz na política (seu candidato não ganhou), mas muito feliz na poética e no amor! Sua companheira, uns quarenta anos mais nova do que ele, também é poeta. E Gullar, nós já sabemos, é este gênio celebrado em toda parte. Sua obra passada está mais presente do que nunca, e este novo livro só vem confirmar que ele é poeta rei e ninguém lhe tira a coroa. Também disso ele não cuida, nem se importa! Que importa? Sabe o que faz e diz o que quer, sem papas na língua! Tá nem aí!... Aos 80 anos de vida, mais de sessenta de consciente poesia, o menino nascido em São Luís do Maranhão e autor do imortal “Poema sujo” está em pleno vigor! Motivos tem para tanto, não tem? E justiça lhe é feita! Recebeu, há pouco, a mais alta distinção que se dá a escritores em língua portuguesa: o Prêmio Camões. Eia, poeta! Como eu dizia, Gullar veio a nós com o seu reino. Falou-nos de sua poesia, de sua vida – o que, afinal, é a mesma coisa. E, naturalmente, nos fez rir do começo ao fim da fala, falando sempre sério, como ele disse, rindo. Dialogou com um seleto público de pouco mais de cem pessoas que, embora seletíssimas, não se mostravam capazes de formular uma pergunta com raciocínio lógico, começo, meio e fim, diante do monstro sagrado. Que importa? Ele respondia, assim mesmo, com inteligência e irreverência, quase brigando com alguns, teimando com outros, dizendo o que ajuíza sobre tudo, até sobre Deus ou não Deus, naquele jeito de paizão excêntrico que a gente ama. É sempre muito bom reencontrar Gullar! Octogenário e mais jovial do que nunca! Com ele aprendemos muito sobre a vida, experimentamos dupla alegria! Duplo ele mesmo, tal como são dois os “ll” do seu nome! Duplo Gullar porque, segundo ele anda a dizer: “Foi-se formando / a meu lado / um outro / que é mais Gullar do que eu // que se apossou do que vi / do que fiz / do que era meu // e pelo país / flutua”... Quem ousará discordar de um homem assim? Vale por dois, por três... por mil!

Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 15 de novembro de 2010.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com

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O livro do poeta Ferreira Gullar, EM ALGUMA PARTE ALGUMA, foi publicado no Rio de Janeiro, pela Editora José Olympio. Da referida obra, os versos citados no final da crônica são do poema "O duplo".

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ENCONTRO NOTURNO – HOMENS DE FERRO, ELES... NALGUM LUGAR DAS GERAIS.


Em Belo Horizonte, dentro e fora do tempo.
Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava.
– Fotografia de Antonio Fabiano –

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

POSSÍVEL

Hoje estou com vontade de gritar poesia
De não fazer mais nada
Só gritar
Cantar a estridência da vida
Quase ensurdecedora
Esta vidinha
Que eu não trocaria por nenhuma das eternidades.

À felicidade possível!

Antonio Fabiano
Direitos reservados

IPÊS-AMARELOS

Os ipês-roxos se foram
Com olhos secos
E almas tristes...

Vêm agora estes, amarelos,
Que nada devem a Van Gogh
E mais parecem sóis que se antecipam auroras
Em cada flor de flor de flor...

Eu suo de alegria!
É quase insuportável esta felicidade de ipês!...

Antonio Fabiano
Direitos reservados