Na semana passada escrevi a respeito da polêmica, que se levantou em todo o Brasil, em torno de um livro aprovado pelo MEC e impresso com dinheiro público para cerca de meio milhão de pessoas, onde se diz que é claro que você pode falar “Nós pega o peixe”, “Os menino pega o peixe”, “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”, etc. O assunto, quando eu estudei linguística na década de noventa, já era lugar-comum. Nada original... Mas, agora, onde e como isso foi posto, ainda que tenha suas razões de ser para um grupo de linguistas (e fora eles não sei de mais ninguém sério que pense assim), mostrou-se bem “inadequado”. Especialistas, além de grandes nomes das nossas letras e inteligências nada pequenas, manifestaram legítima aversão. Se a polêmica em parte foi fabricada pela mídia, ninguém pode negar que a discussão é oportuna, apesar das afetações dos extremos de ambas as partes. O debate continua, mas não é dessa pérola – mais uma da gestão do ministro Haddad – que eu quero falar. O assunto agora é Educação...
Vocês ouviram falar de Amanda Gurgel? Sem nenhuma relação direta com o caso acima citado difundiu-se, pelo milagre da Internet, um vídeo em que a professorinha potiguar faz seu desabafo em nome dos educadores do Rio Grande do Norte, e que retrata bem a situação da Educação em quase todo o país. Não vou repetir a fala do vídeo, porque como esteve no topo dos mais acessados da semana e se tornou uma espécie de febre entre os internautas, presumo que meu leitor já o tenha visto pelo menos uma vez. É interessante o teor da discussão, além de musicalmente lindo o sotaque da minha conterrânea. Amanda Gurgel se exprime sem qualquer pretensão de se tornar a heroína de uma classe já por demais massacrada. Não quer chamar a atenção para si. Parece ser, realmente, uma pessoa séria. E o assunto, como eu já disse, também é sério. Seu discurso é coerente e totalmente centrado na realidade. Daí por que foi capaz de desmantelar a egrégia mesa que compunha a audiência pública do último dia dez de maio, na Assembleia Legislativa de Natal-RN. Amanda não traz, igualmente, novidade. Por isso, talvez, o impacto de nem mesmo ela entender a repercussão do protesto, ao cair na rede mundial. É o que todos sabem e muitos fingem que não está ali, nos espreitando: a triste e velha realidade de milhares de profissionais idôneos, que dão a vida pela melhor Educação possível, mas que recebem em troca baixos salários e péssimas condições de trabalho por parte dos governos que não lhes levam a sério nem lhes dão ouvido.
O discurso de Amanda me comoveu, pelo que tem de verdadeiro. Quase me fez chorar, porque é assim que sobrevivem muitos em nosso país de abissais desigualdades, demagógicas hipocrisias. Quando a Educação será prioridade, é o que nos perguntamos ao término de sua fala, partícipes de uma real indignação. E embora já tenhamos ouvido alguém chamar de heróis a big brothers do Brasil, no reality show da vida heróis para mim são pessoas como ela, como tantos outros professores que sofrem a deterioração de um sistema escolar que os desmoraliza, mas mesmo assim resistem de pé, com dignidade, e atuam no zelo de sua vocação.
O protesto de Amanda Gurgel se disseminou no mesmo momento em que intelectuais de gabinete fizeram coro – como Os Sapos de Manuel Bandeira – em torno daquele famigerado livro que põe em questão o verdadeiro papel da escola. Ela, porém, nos falou da nua e crua vida... Eu creio que cada grande homem ou mulher que há, também eu e você, nos tornamos possíveis pela ação de profissionais muitas vezes anônimos, que passaram pelas nossas vidas e dentro dos próprios limites fizeram o melhor possível. Pense hoje nos bons educadores. Envie-lhes gratidão, porque a merecem!
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 30 de maio de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
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Para Maria da Apresentação
segunda-feira, 30 de maio de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
POR UMA VIDA MELHOR?
Vivemos num tempo de oximoros aberrantes. O certo é também errado, ou o errado é certo e tanto faz. Cada dia eu me sinto mais imbecil e ignorante. Agora, também, analfabeto. Ou não, já que tanto faz. O MEC acaba de lançar um livro em que diz que não precisamos necessariamente seguir as regras da gramática para falar de forma correta. Uma das autoras explica que a intenção é substituir o conceito de correto e incorreto (certo e errado) pela ideia de uso adequado ou inadequado. Não digo que quem procede assim está agindo de má fé. Até creio que há boa intenção nisso tudo, mas parte-se de um princípio equivocado – insustentável se posto à prova lógica, de um raciocínio mais acurado – que em longo prazo nos fará pagar um preço altíssimo.
Em nosso tempo nada pode ser “errado”, pautamo-nos pelas ideologias vigentes ou da moda dos últimos decênios, optamos por seguir a lei do menor esforço ou a não-lei. Não podemos dizer não, é proibido proibir (sentença esta que traz em si mesma a própria negação), cada um é sua lei, seu deus e juiz absoluto. O relativismo que já foi entronizado na moral, na ética de nossa sociedade, na filosofia, na política, em quase todas as ciências, bem como na estética, nas artes – confira os impasses artísticos e a crítica contemporânea, e note que a quase toda “coisa” produzida nos últimos tempos é não poucas vezes conferido o status de arte com louvor – não poderia deixar de entrar também na língua. Na língua dos brasileiros, obviamente. Assim, algo horrível como a gramática normativa (a que estabelece normas, o padrão linguístico, a sua sistematização), não haveria de passar impunemente por toda essa borrasca, sendo antes tida como caso intolerável ao nosso gosto subjetivista e à nossa preguiça de aprender ou ensinar, isto é, de dar educação de qualidade, um direito de todos. A transgressão presente em diversos níveis da sociedade e até encorajada por instituições outrora norteadoras (neste mesmo mundo onde a futilidade é ovacionada e valores são copernicanamente invertidos), levada às últimas consequências, acabaria por também legitimar coisas execráveis para nós como a impunidade e a violência. Mas não se percebe isso com facilidade, nem é o que queremos ver, ainda quando adotamos atos incongruentes, cujas consequências até somos incapazes de mensurar. Não está na moda pensar, mas de quem fala por e sobre muitos, exigimos o dever da responsabilidade.
O livro referido pertence à coleção Viver, Aprender... e intitula-se “Por uma vida melhor”. Assim seja. Mas, curiosamente, isso se difundiu e se difundirá em escolas da rede pública. E não creio que em algum concurso ou vestibular tal falácia vá ser levada a sério.
Sabemos que em qualquer língua ou cultura do mundo há discrepâncias entre a oralidade e sua escrita, isso é comum e até viável. Mas reconhecer que há diferentes formas de falar, e ter em relação a tal fato a devida flexibilidade, inclusive abolindo todo preconceito e buscando compreender os mais variados fenômenos linguísticos, não nos dá o direito de endossar a institucionalização do que é visível deficiência educacional – esta, sim, injusta – tão patente em nosso país, onde governos se vangloriam do crescimento estatístico da escolarização e progressiva erradicação do analfabetismo, e nos deparamos mesmo no ensino superior com pessoas que sequer sabem conjugar os verbos mais elementares ou escrever um texto legível em sua própria língua.
É sofístico acreditar que está certo falar uma língua de qualquer jeito, desde que a comunicação se torne possível, e que proceder dessa forma é promover a inclusão social etc. Esse critério absurdo, além de ameaçar a unidade linguística de um povo de dimensão continental que miraculosamente fala o mesmo idioma (com sotaques e expressões próprias, o que é enriquecedor, natural e bonito), promove o que já chamaram de “apartheid” no campo semântico. Diminuir as diferenças sociais, abolir preconceitos, não se faz pelo caminho da irresponsabilidade de quem tem o dever de dar escola e educação de qualidade a todos. Não sei de nenhum lugar do mundo onde tenha ocorrido algo semelhante a essa procedência tristemente abonada pelo MEC.
A veiculação deste livrinho poderia parecer irrelevante, e a fúria de alguns intelectuais desproporcional. Não. Seu conteúdo demagógico – também denunciado pela Academia Brasileira de Letras – quer de fato validar o erro, como se dissesse que para ricos e bem formados três vezes três é nove, mas para pobres tanto faz. O desdobramento de tal relativização nos afronta e fere a própria razão de ser do idioma. Mas é um bom álibi para justificar nossa incompetência educacional, o fracasso da Educação em diversas instâncias, sobretudo no ensino da língua pátria onde, atualmente, se aprende mais a odiar clássicos da literatura, através de mutilados textos, que propriamente gramática.
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 23 de maio de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
Em nosso tempo nada pode ser “errado”, pautamo-nos pelas ideologias vigentes ou da moda dos últimos decênios, optamos por seguir a lei do menor esforço ou a não-lei. Não podemos dizer não, é proibido proibir (sentença esta que traz em si mesma a própria negação), cada um é sua lei, seu deus e juiz absoluto. O relativismo que já foi entronizado na moral, na ética de nossa sociedade, na filosofia, na política, em quase todas as ciências, bem como na estética, nas artes – confira os impasses artísticos e a crítica contemporânea, e note que a quase toda “coisa” produzida nos últimos tempos é não poucas vezes conferido o status de arte com louvor – não poderia deixar de entrar também na língua. Na língua dos brasileiros, obviamente. Assim, algo horrível como a gramática normativa (a que estabelece normas, o padrão linguístico, a sua sistematização), não haveria de passar impunemente por toda essa borrasca, sendo antes tida como caso intolerável ao nosso gosto subjetivista e à nossa preguiça de aprender ou ensinar, isto é, de dar educação de qualidade, um direito de todos. A transgressão presente em diversos níveis da sociedade e até encorajada por instituições outrora norteadoras (neste mesmo mundo onde a futilidade é ovacionada e valores são copernicanamente invertidos), levada às últimas consequências, acabaria por também legitimar coisas execráveis para nós como a impunidade e a violência. Mas não se percebe isso com facilidade, nem é o que queremos ver, ainda quando adotamos atos incongruentes, cujas consequências até somos incapazes de mensurar. Não está na moda pensar, mas de quem fala por e sobre muitos, exigimos o dever da responsabilidade.
O livro referido pertence à coleção Viver, Aprender... e intitula-se “Por uma vida melhor”. Assim seja. Mas, curiosamente, isso se difundiu e se difundirá em escolas da rede pública. E não creio que em algum concurso ou vestibular tal falácia vá ser levada a sério.
Sabemos que em qualquer língua ou cultura do mundo há discrepâncias entre a oralidade e sua escrita, isso é comum e até viável. Mas reconhecer que há diferentes formas de falar, e ter em relação a tal fato a devida flexibilidade, inclusive abolindo todo preconceito e buscando compreender os mais variados fenômenos linguísticos, não nos dá o direito de endossar a institucionalização do que é visível deficiência educacional – esta, sim, injusta – tão patente em nosso país, onde governos se vangloriam do crescimento estatístico da escolarização e progressiva erradicação do analfabetismo, e nos deparamos mesmo no ensino superior com pessoas que sequer sabem conjugar os verbos mais elementares ou escrever um texto legível em sua própria língua.
É sofístico acreditar que está certo falar uma língua de qualquer jeito, desde que a comunicação se torne possível, e que proceder dessa forma é promover a inclusão social etc. Esse critério absurdo, além de ameaçar a unidade linguística de um povo de dimensão continental que miraculosamente fala o mesmo idioma (com sotaques e expressões próprias, o que é enriquecedor, natural e bonito), promove o que já chamaram de “apartheid” no campo semântico. Diminuir as diferenças sociais, abolir preconceitos, não se faz pelo caminho da irresponsabilidade de quem tem o dever de dar escola e educação de qualidade a todos. Não sei de nenhum lugar do mundo onde tenha ocorrido algo semelhante a essa procedência tristemente abonada pelo MEC.
A veiculação deste livrinho poderia parecer irrelevante, e a fúria de alguns intelectuais desproporcional. Não. Seu conteúdo demagógico – também denunciado pela Academia Brasileira de Letras – quer de fato validar o erro, como se dissesse que para ricos e bem formados três vezes três é nove, mas para pobres tanto faz. O desdobramento de tal relativização nos afronta e fere a própria razão de ser do idioma. Mas é um bom álibi para justificar nossa incompetência educacional, o fracasso da Educação em diversas instâncias, sobretudo no ensino da língua pátria onde, atualmente, se aprende mais a odiar clássicos da literatura, através de mutilados textos, que propriamente gramática.
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 23 de maio de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
O MENINO E O LIVRO
Estava pensativo, molemente distraído, quando ouviu uma voz franzina que vinha de entre as coisas deixadas sobre a mesa. Não podia ser! Disfarçou o espanto. Continuou ali, paralisado pela surpresa. A voz insistiu. Agora com mais força: “Vamos!”... Era um convite? Ele reagiu com cavalos marinhos. ??? Até que o silêncio mesmo abriu atalhos entre ambos. O menino começou a conversar com o livro, com o coração do poeta que estava nele, com a poesia que escorria dele. Encheu-se de clarão aquela noite.
Era um livro ou um rio? Pouco importava se nunca tivesse visto o mar. Era um mar também. E, por causa disso, não descansaria... Não descansaria até que se fizesse claro o enigma. Até que se fizesse, talvez, claro enigma.
“Quem é você?”, perguntou o menino. E ainda não sabia que a resposta duraria toda uma vida. A vida. As primeiras letras começaram a pular. As primeiras letras começaram a dançar bem diante de seus olhos. Outra vez a voz lhe disse: “Vamos!”... E começou a cumplicidade, a vida íntima mutuamente trocada, inconfidências confidenciadas... Porque livros vivem e até mortos revivem pela força da palavra! Era como se o mundo coubesse – e de fato cabia – numa só palavra, a que não seria dita, a que, afinal, seria o segredo guardado.
Era o livro de um poeta? Ou era poeta o menino que se via no espelho do livro? O livro, máquina maravilhosa, para além das máquinas do mundo, estava ali e abrira-se. Definitivamente abrira-se. Tudo então era possível...
Ele se encantou. Começou a ler e não parou nunca mais. Deixou-se ler primeiro, porque era puro de coração e aberto às coisas novas, às coisas novidadas, prenhes de milagre e cataratas ridentes de significação. Leu, leu – lido que estava, lindo e lido outra vez – leu até não chegar ao fim. Descansou feliz, porque livros existem dos bons e também poetas como aquele.
O menino entendeu, mesmo sem entender tudo.
Estava aberta a clareira, inaugurado o sonho, o diálogo sem fim...
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 16 de maio de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
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Para Cláudia Ahimsa
Era um livro ou um rio? Pouco importava se nunca tivesse visto o mar. Era um mar também. E, por causa disso, não descansaria... Não descansaria até que se fizesse claro o enigma. Até que se fizesse, talvez, claro enigma.
“Quem é você?”, perguntou o menino. E ainda não sabia que a resposta duraria toda uma vida. A vida. As primeiras letras começaram a pular. As primeiras letras começaram a dançar bem diante de seus olhos. Outra vez a voz lhe disse: “Vamos!”... E começou a cumplicidade, a vida íntima mutuamente trocada, inconfidências confidenciadas... Porque livros vivem e até mortos revivem pela força da palavra! Era como se o mundo coubesse – e de fato cabia – numa só palavra, a que não seria dita, a que, afinal, seria o segredo guardado.
Era o livro de um poeta? Ou era poeta o menino que se via no espelho do livro? O livro, máquina maravilhosa, para além das máquinas do mundo, estava ali e abrira-se. Definitivamente abrira-se. Tudo então era possível...
Ele se encantou. Começou a ler e não parou nunca mais. Deixou-se ler primeiro, porque era puro de coração e aberto às coisas novas, às coisas novidadas, prenhes de milagre e cataratas ridentes de significação. Leu, leu – lido que estava, lindo e lido outra vez – leu até não chegar ao fim. Descansou feliz, porque livros existem dos bons e também poetas como aquele.
O menino entendeu, mesmo sem entender tudo.
Estava aberta a clareira, inaugurado o sonho, o diálogo sem fim...
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 16 de maio de 2011.
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E-mail: seridoano@gmail.com
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Para Cláudia Ahimsa
quinta-feira, 12 de maio de 2011
BELEZA É FUNDAMENTAL
“A beleza salvará o mundo”...
Dostoievski no romance “O idiota”.
E Tzvetan Todorov concorda...
Dostoievski no romance “O idiota”.
E Tzvetan Todorov concorda...
segunda-feira, 9 de maio de 2011
A COISA
Francamente, que segunda-feira chata!
De manhã eu fui a PUC. Uma cardinalícia Eminência falou do novo livro do Papa. Principescas criaturas desfilaram pelos corredores da velha instituição. As mesmas formalidades de há séculos! Tudo tão bonito para os meus olhos de mil anos atrás!...
Saio da cerimônia com muito tédio. Deus me perdoe! Sou convictamente católico, rezo até de joelhos o símbolo niceno-constantinopolitano, mas não suporto artificialidades!
Andando pelos corredores da PUC tropeço na coisa. Está ali, afixada, silenciosa, com olhos enormes. É inútil, a coisa. Não serve pra nada! É colorida? Atrevida? Arco-íris, meio camaleão... Hum... Sei não!
Não tem cabimento, ela. Insinua-se e entra pelos olhos de um cego. Serei eu, mestre?
A coisa agora me olha. É bilíngue. O computador me corrige, porque antigamente havia trema e agora não. Quase não mais não! Eu sou de antigamente. Ai, meu Deus!
A coisa bilíngue já sem trema se traduz. Pífia! Que diabos! Salta da parede sobre mim!
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 9 de maio de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
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Para Rodrigo, Reginaldo, Igor, João Batista e Giovanni.
De manhã eu fui a PUC. Uma cardinalícia Eminência falou do novo livro do Papa. Principescas criaturas desfilaram pelos corredores da velha instituição. As mesmas formalidades de há séculos! Tudo tão bonito para os meus olhos de mil anos atrás!...
Saio da cerimônia com muito tédio. Deus me perdoe! Sou convictamente católico, rezo até de joelhos o símbolo niceno-constantinopolitano, mas não suporto artificialidades!
Andando pelos corredores da PUC tropeço na coisa. Está ali, afixada, silenciosa, com olhos enormes. É inútil, a coisa. Não serve pra nada! É colorida? Atrevida? Arco-íris, meio camaleão... Hum... Sei não!
Não tem cabimento, ela. Insinua-se e entra pelos olhos de um cego. Serei eu, mestre?
A coisa agora me olha. É bilíngue. O computador me corrige, porque antigamente havia trema e agora não. Quase não mais não! Eu sou de antigamente. Ai, meu Deus!
A coisa bilíngue já sem trema se traduz. Pífia! Que diabos! Salta da parede sobre mim!
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 9 de maio de 2011.
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Para Rodrigo, Reginaldo, Igor, João Batista e Giovanni.
terça-feira, 3 de maio de 2011
DAMA PERECÍVEL... MAS SEMPRE “DONA” DA NOITE!
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