/Ogni cosa ch’i’ veggio mi consiglia
e priega e forza ch’i’ vi segua e ami;
ché quel che non è voi non è ’l mie bene.
Amor, che sprezza ogni altra maraviglia,
per mie salute vuol ch’i’ cerchi e brami
voi, sole, solo; e così l’alma tiene
d’ogni alta spene e d’ogni valor priva;
e vuol ch’i’ arda e viva
non sol di voi, ma chi di voi somiglia
degli occhi e delle ciglia alcuna parte.
E chi da voi si parte,
occhi, mie vita, non ha luce poi;
ché ’l ciel non è dove non siate voi.
Este madrigal foi redigido em cerca de onze versões diferentes, entre 1520 e 1534.
sábado, 1 de outubro de 2011
I’ mi son caro assai più ch’i’ non soglio – Michelangelo
/I’ mi son caro assai più ch’i’ non soglio;
poi ch’i’ t’ebbi nel cor più di me vaglio,
come pietra c’aggiuntovi l’intaglio
è di più pregio che ’l suo primo scoglio.
/O come scritta o pinta carta o foglio
più si riguarda d’ogni straccio o taglio,
tal di me fo, da po’ ch’i’ fu’ berzaglio
segnato dal tuo viso, e non mi doglio.
/Sicur con tale stampa in ogni loco
vo, come quel c’ha incanti o arme seco,
c’ogni periglio gli fan venir meno.
/I’ vaglio contr’a l’acqua e contr’al foco,
col segno tuo rallumino ogni cieco,
e col mie sputo sano ogni veleno.
Escrito provavelmente em 1534.
poi ch’i’ t’ebbi nel cor più di me vaglio,
come pietra c’aggiuntovi l’intaglio
è di più pregio che ’l suo primo scoglio.
/O come scritta o pinta carta o foglio
più si riguarda d’ogni straccio o taglio,
tal di me fo, da po’ ch’i’ fu’ berzaglio
segnato dal tuo viso, e non mi doglio.
/Sicur con tale stampa in ogni loco
vo, come quel c’ha incanti o arme seco,
c’ogni periglio gli fan venir meno.
/I’ vaglio contr’a l’acqua e contr’al foco,
col segno tuo rallumino ogni cieco,
e col mie sputo sano ogni veleno.
Escrito provavelmente em 1534.
Giunto è già ’l corso della vita mia – Michelangelo
/Giunto è già ’l corso della vita mia,
con tempestoso mar, per fragil barca,
al comun porto, ov’a render si varca
conto e ragion d’ogni opra trista e pia.
/Onde l’affettüosa fantasia
che l’arte mi fece idol e monarca
conosco or ben com’era d’error carca
e quel c’a mal suo grado ogn’uom desia.
/Gli amorosi pensier, già vani e lieti,
che fien or, s’a duo morte m’avvicino?
D’una so ’l certo, e l’altra mi minaccia.
/Né pinger né scolpir fie più che quieti
l’anima, volta a quell’amor divino
c’aperse, a prender noi, ’n croce le braccia.
Escrito entre 1552 e 1554 em seis versões.
con tempestoso mar, per fragil barca,
al comun porto, ov’a render si varca
conto e ragion d’ogni opra trista e pia.
/Onde l’affettüosa fantasia
che l’arte mi fece idol e monarca
conosco or ben com’era d’error carca
e quel c’a mal suo grado ogn’uom desia.
/Gli amorosi pensier, già vani e lieti,
che fien or, s’a duo morte m’avvicino?
D’una so ’l certo, e l’altra mi minaccia.
/Né pinger né scolpir fie più che quieti
l’anima, volta a quell’amor divino
c’aperse, a prender noi, ’n croce le braccia.
Escrito entre 1552 e 1554 em seis versões.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
O QUE GRITAM AS CIGARRAS?
A obsessão de Jerônimo pelas cigarras voltou. Na verdade, sempre volta, quando elas, as cigarras, voltam. Todo ano é a mesma cantilena, por semanas. Até de madrugada! Eu não tiro as razões de Jerônimo, nem seu direito de estar obcecado por estas criaturinhas de almas lúdicas.
É que nesta época as cigarras – como leite entornado sobre o livro das lamentações e em frenética loucura de viver tão desesperadamente – gritam convulsas, inconsoláveis, talvez pelo amor que perderam no último verão e agora de novo o buscam.
Berram quais adolescentes histéricas, soluçam o infinito, como se alguém do mal tivesse roubado suas lindas asas transparentes – as famigeradas translúcidas!
Cigarras são seres assombrados. Elas gritam atônitas e mais que isso: caaantam... dentro e fora de Jerônimo. Jerônimo está atônito também (ele não consegue disfarçar o seu ouvi-las!). Jerônimo é um homem de vida interior. Mas se você, leitor, estivesse obrigado a horas de silêncio por dia, ouvindo centenas – talvez milhares – de cigarras nas árvores do seu convento, você enlouqueceria ou procuraria entender o que elas dizem. Jerônimo não enlouqueceu. Ele descobriu o que gritam as cigarras quando cantam, cantam, cantam sem parar, dentro e fora dele. Ele as escutou e ficou tão contente e finalmente pôde meditar!...
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 26 de setembro de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
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Para Everaldo
É que nesta época as cigarras – como leite entornado sobre o livro das lamentações e em frenética loucura de viver tão desesperadamente – gritam convulsas, inconsoláveis, talvez pelo amor que perderam no último verão e agora de novo o buscam.
Berram quais adolescentes histéricas, soluçam o infinito, como se alguém do mal tivesse roubado suas lindas asas transparentes – as famigeradas translúcidas!
Cigarras são seres assombrados. Elas gritam atônitas e mais que isso: caaantam... dentro e fora de Jerônimo. Jerônimo está atônito também (ele não consegue disfarçar o seu ouvi-las!). Jerônimo é um homem de vida interior. Mas se você, leitor, estivesse obrigado a horas de silêncio por dia, ouvindo centenas – talvez milhares – de cigarras nas árvores do seu convento, você enlouqueceria ou procuraria entender o que elas dizem. Jerônimo não enlouqueceu. Ele descobriu o que gritam as cigarras quando cantam, cantam, cantam sem parar, dentro e fora dele. Ele as escutou e ficou tão contente e finalmente pôde meditar!...
Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 26 de setembro de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
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Para Everaldo
domingo, 25 de setembro de 2011
DEFINIÇÕES (POEMA RÓTULAS)
Sou superlativo – direis.
Sou hipérbole – ora!
Tenho horror a rótulos!
Só rótulas quero
Para o bem das pernas
E exercício de humildade na oração.
Definitivamente:
Eu não sou igual.
Antonio Fabiano
Direitos reservados
Sou hipérbole – ora!
Tenho horror a rótulos!
Só rótulas quero
Para o bem das pernas
E exercício de humildade na oração.
Definitivamente:
Eu não sou igual.
Antonio Fabiano
Direitos reservados
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
CRÔNICA A UM AMIGO QUE MORREU PELA PRIMEIRA VEZ
Já morri tantas vezes nesta vida, meu amigo, que posso te dizer sem medo de errar: ressuscitarás. Este ano, eu próprio morri uma ou três vezes. Morre-se muito na vida! O importante é renascer, recomeçar...
Sim, é verdade: não é bom morrer. Mas também dói nascer, e renascer é ainda mais doível. Porém, quem negará a grandeza mais lúcida dos renascidos?
Muitas vezes perdemos horas juntando os destroços do combate, arrancando das cinzas o avesso da ruína. Para alguns, pior que jazer num campo de batalha é sobreviver à guerra, pouco importa se vencido ou vencedor. Percamos horas!
Eu sei que é muito difícil passar pelo que tens passado. Porém, morrer é privilégio de vivos. É melhor morrer algumas vezes por se estar vivo, que viver eternamente morto.
Nesta manhã ouvi uma canção que me fez lembrar de ti – talvez mais de mim mesmo, se queres saber a verdade. É um poema de María Elena Walsh, poetisa argentina, interpretado por Mercedes Sosa, o que o torna ainda maior. Dou-te a livre tradução desta canção, que se intitula “Como a Cigarra”, com votos de ressurreição.
“Tantas vezes me mataram
Tantas vezes eu morri
E no entanto estou aqui
Ressuscitando.
Eu agradeço à desventura
E até à mão com o punhal
Porque me matou tão mal
E segui cantando.
Cantando ao sol como a cigarra
Depois de vir do fundo da terra
Tal como sobrevivente
A voltar de uma guerra.
Tantas vezes me apagaram
Tantas desapareci
Ao meu próprio enterro fui
Sozinha e chorando.
Eu dei um nó no meu lenço
Mas me esqueci depois
Que não era uma só vez
E segui cantando.
Tantas vezes te mataram
Tantas ressuscitarás
Quantas noites passarás
Desesperando.
Mas na hora do naufrágio
E daquela escuridão
Outros te resgatarão
Para ir cantando.”
Veja Mercedes Sosa ao Vivo – “Como la Cigarra”:
http://www.youtube.com/watch?v=yzUAUv16x6k
http://www.youtube.com/watch?v=wQAgzRv-gWQ
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Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 19 de setembro de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
Sim, é verdade: não é bom morrer. Mas também dói nascer, e renascer é ainda mais doível. Porém, quem negará a grandeza mais lúcida dos renascidos?
Muitas vezes perdemos horas juntando os destroços do combate, arrancando das cinzas o avesso da ruína. Para alguns, pior que jazer num campo de batalha é sobreviver à guerra, pouco importa se vencido ou vencedor. Percamos horas!
Eu sei que é muito difícil passar pelo que tens passado. Porém, morrer é privilégio de vivos. É melhor morrer algumas vezes por se estar vivo, que viver eternamente morto.
Nesta manhã ouvi uma canção que me fez lembrar de ti – talvez mais de mim mesmo, se queres saber a verdade. É um poema de María Elena Walsh, poetisa argentina, interpretado por Mercedes Sosa, o que o torna ainda maior. Dou-te a livre tradução desta canção, que se intitula “Como a Cigarra”, com votos de ressurreição.
“Tantas vezes me mataram
Tantas vezes eu morri
E no entanto estou aqui
Ressuscitando.
Eu agradeço à desventura
E até à mão com o punhal
Porque me matou tão mal
E segui cantando.
Cantando ao sol como a cigarra
Depois de vir do fundo da terra
Tal como sobrevivente
A voltar de uma guerra.
Tantas vezes me apagaram
Tantas desapareci
Ao meu próprio enterro fui
Sozinha e chorando.
Eu dei um nó no meu lenço
Mas me esqueci depois
Que não era uma só vez
E segui cantando.
Tantas vezes te mataram
Tantas ressuscitarás
Quantas noites passarás
Desesperando.
Mas na hora do naufrágio
E daquela escuridão
Outros te resgatarão
Para ir cantando.”
Veja Mercedes Sosa ao Vivo – “Como la Cigarra”:
http://www.youtube.com/watch?v=yzUAUv16x6k
http://www.youtube.com/watch?v=wQAgzRv-gWQ
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Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 19 de setembro de 2011.
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