terça-feira, 30 de novembro de 2010

LÊDO IVO - numa formidável entrevista...


O escritor Lêdo Ivo em descontraída fotografia disponível na Web

Em entrevista a Geneton Moraes Neto, o acadêmico Lêdo Ivo, poeta e ensaísta, diz o que pensa sobre poesia, literatura, educação etc. Revela até qual o pior verso da língua portuguesa, e qual sumidade – das nossas letras – ele considera um “b*****”. Boa entrevista, vocês rirão bastante, mas ouvirão também coisas muito sérias.

Veja o vídeo por este link:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1219770-7823-ESCRITOR+LEDO+IVO+DIZ+O+QUE+PENSA+SOBRE+O+BRASIL,00.html

Fonte: globo.com

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PERDA EM TRÂNSITO

Esta semana fui surpreendido por uma daquelas notícias que, simultaneamente, nos entristecem e revoltam. Da minha longínqua cidade de origem, a preciosa Cerro Corá, informaram-me de um acidente automobilístico sofrido por um casal amigo nosso e vizinho. A mulher feriu-se gravemente, sob duras penas recupera-se. O marido perdeu a vida. Isso entristece. A causa do acidente? No outro lado da história um inqualificável, alcoolizado, no volante. Essa é a parte que revolta.
Acidentes acontecem todos os dias, em todo o mundo. Alguns são mesmo inevitáveis, e qualquer um de nós está exposto a perigos – seja eu ou você, o papa que é pop ou a linda princesa da Grã-Bretanha. Mas quando se trata de algo assim, que poderia muito facilmente ter sido evitado e só aconteceu por causa da irresponsabilidade de alguém que não respeitou as leis do seu país, os bons costumes da civilidade e aquilo que chamamos de bem do próximo... O que dizer?
Aqui em Minas nos deparamos frequentemente com esse problema. Vocês estão cansados de ver nos noticiários os recordes de acidentes em nossas rodovias. As estatísticas são alarmantes, sobretudo nos feriados e nas grandes festas do ano. O pior é a constatação de que muitos desses males poderiam ter sido evitados e têm quase sempre a mesma causa: imprudência na direção e álcool (não nos motores, mas nos motoristas). Aliada a isso, não bastasse o muito já dito, vê-se com frequência a impunidade dos que matam no trânsito e por sorte não morrem.
Somos obrigados a ouvir muitas vezes a assertiva “se beber não dirija” ou “aprecie com moderação”... E, no entanto, muitos dos que bebem – com ou sem moderação – se julgam aptos para o volante, aptos para a vida em veloz velocidade. Para esses, acidente é coisa que só acontece aos outros, no máximo a meu vizinho, nunca comigo nem com os meus. Quem pensa e procede assim, não apenas corre o risco de perder a vida, mas ainda pode arrastar consigo outras, inocentes, de gente de bem, pais de família, pessoas notadamente sérias na vida e no trânsito.
São muitas as famílias que se desfazem, em situações análogas. Amores que se partem. Filhos que ficam órfãos, como os do meu vizinho. Pais que se desalentam, pela inversão da ordem natural que é perder um filho. Amigos que nem sequer tiveram tempo de dizer “adeus”. E no meio disso tudo a violência (como a de ousar dirigir em estado alterado pelo álcool), o desrespeito ao humano, a impressão de que morrer é banal, porque alguns vivem de modo banal e matam dolosamente, banalmente...
Mas eu e muitos ainda cremos que viver não é banal.

Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 29 de novembro de 2010.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

MÁRIO DE ANDRADE E O CINEMA

A Folha de S. Paulo de hoje, em seu caderno de cultura – E12 ilustrada – traz uma notícia deveras interessante para os que amam pari passu o cinema e a literatura. Trata-se de uma obra intitulada “No Cinema”, a qual chegará às livrarias no mês de dezembro próximo, com 19 críticas escritas por Mário de Andrade (1893-1945), todas publicadas esparsamente, referentes a cinematografia. Só agora foram reunidas, a facilitar uma leitura organizada, por iniciativa do pesquisador Paulo José da Silva Cunha e da editora Nova Fronteira. Dessas críticas, apenas um texto de 1934 é inédito. Como lembra Alcino Leite Neto, editor da Publifolha, tais textos integram em seu conjunto uma das reflexões mais importantes da primeira metade do século XX no Brasil, a respeito da arte cinematográfica. Cabe lembrar que aquele era um tempo em que ainda se discutia a validade artística da nova linguagem, a que se chamaria definitivamente “sétima arte”. Para Mário de Andrade o cinema já era, indiscutivelmente, Arte.

– NO CINEMA –
AUTOR: Mário de Andrade
EDITORA: Nova Fronteira
PREÇO: não definido
AVALIAÇÃO (Folha de S. Paulo): ótimo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

EM TEMPO: UMA PRECIOSIDADE...



Olá, pessoal! Já falei desta preciosidade aqui em nosso blog (revejam as publicações de setembro). A DURAÇÃO DO DIA é o mais recente livro de Adélia Prado e saiu este ano mesmo pela EDITORA RECORD. Resolvi hoje postar a capa (divulgação), para encorajá-los a adquirirem a obra. A concepção da capa é da própria Adélia Prado. Em dezembro o blog trará mais novidades sobre a autora...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A VELHINHA E O TEMPORAL


Imagem capturada de “Rapsódia em Agosto”, um filme de Akira Kurosawa.

Estimados leitores, gastei muitos dias da semana passada tentando descrever a sequência final de “Rapsódia em Agosto” (1991), um dos últimos filmes de Akira Kurosawa (1910-1998). Este grande diretor japonês é um dos meus favoritos no singularíssimo mundo do cinema oriental. E a descrição da sequência final de seu filme, a meu ver, daria uma bela crônica. Porém...
O filme a que me refiro, eu o vi algumas vezes. Mas o final... (peço desculpas pelo mau exemplo!), precisamente o seu final... eu vi cerca de trezentas a quatrocentas vezes. Não exagero!
Estive pensando muito nisso, porque aquela cena é uma das mais admiráveis que a sétima arte já concebeu, ao menos segundo o meu parecer. Sim, eu tenho uma coleção de “melhores cenas” na cabeça, às vezes repasso tudo, e esta é uma delas...
“Rapsódia em Agosto” não é, em minha opinião, o melhor filme de Kurosawa; mas foi, sem dúvida, o mais comercial (isto nem sempre é bom para a reputação de um diretor de filmes de arte), tendo inclusive em seu elenco o ator Richard Gere; e foi também uma das obras mais comoventes de toda a sua filmografia.
O filme rememora o trauma do ataque nuclear norte-americano às cidades de Nagasaki e Hiroshima, em agosto de 1945, mais de quarenta anos depois do acontecido. Aborda, além do trauma (revivido sobremaneira por uma idosa chamada Kane), a indiferença, a ignorância e as ambições mesquinhas da primeira e da segunda geração do Japão do pós-guerra. Em relação ao país outrora adversário (representado especialmente pelo parente nipo-americano), abre-se um caminho para o diálogo, a reconciliação, o perdão...
Mas nada disso importa em minha crônica! O que realmente importava era a porção que eu não soube descrever, porque não cabe em palavras: a tal sequência final. E, sendo assim, tudo não passa de pura indiscrição da minha parte, uma ousadia sem cabimento! Mas por que insisto em escrever? Escrevo porque não escrevo, ora! Escrever sobre não ser capaz de descrever algo, é mais nobre que acovardar-se e não tentar...
Na sequência a que me referi, em tons psicodramáticos, as personagens (re)vivem, simbolicamente, em meio a um majestático temporal, os acontecimentos do final da guerra. A senhora Kane, talvez a personagem mais lúcida da trama, que perdera o marido na explosão nuclear de 45, resolve ir buscá-lo na cidade, quase meio século depois (algo impossivelmente absurdo!), atravessando a tempestade e arrastando consigo as outras personagens que, inutilmente, tentam detê-la. Ninguém, nem os mais novos alcançam o passo da decidida “velhinha”. O que ali acontece – e eu não pude descrever – é coisa de cinema, não cabe em escrita alguma. Uma mulher octogenária e um guarda-chuva, o temporal imenso, o quase impossível “silêncio” introduzido pelo mestre Kurosawa na culminância do drama, mais aquela súbita música, meu Deus!, a (in)esperada música...
Queira, meu aplicado leitor, cinéfilo de carteirinha ou não, ver ou rever o filme – do começo ao fim, nunca seguindo meus maus exemplos de explorar uma única cena trezentas ou quatrocentas vezes! E rendamos graças a quem nos deu essa maravilha, a que podemos chamar de verdadeira obra de arte.
(Crônica ao amigo Guilherme Henrique Nakamoto)

Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 22 de novembro de 2010.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com

AKIRA KUROSAWA - Grande Mestre do Cinema Japonês. "Rapsódia em Agosto", o filme.


O cineasta Akira Kurosawa (1910-1998)
Foto Divulgação



RAPSÓDIA EM AGOSTO

Título Original: Hachigatsu no Kyoshikyoku (“hachi-gatsu no kyôshikyoku”)
País de Origem: Japão
Ano: 1991
Duração: 98min
Diretor: Akira Kurosawa
Elenco: Richard Gere, Fumiko Honma, Hisashi Igawa, Mitsunori Isaki e outros.

Este filme faz parte da última fase do diretor. A partir de 1975, Kurosawa precisou de dinheiro estrangeiro para viabilizar seus projetos. Consagrou-se no exterior, mas já não era bem visto pelos produtores de seu próprio país. Vítima do ressentimento do Japão em relação ao Ocidente, vigente desde o fim da Segunda Grande Guerra, ele foi chamado de diretor de exportação.
Akira Kurosawa foi um dos cineastas mais importantes do Japão. Seus filmes – dirigiu mais de 30 – até hoje influenciam artistas de todo o mundo. É considerado um dos diretores mais importantes da história do cinema.
Dizem que ele se desesperava se o sol ousasse fugir, durante as filmagens, antes que a tomada perfeita, com a exata luz por ele imaginada, tivesse sido feita.

Outros dois filmes de Akira Kurosawa, mais recentes e bem acessíveis (isto é, possíveis de se achar em locadoras comuns): Yume (na locadora diga “Sonhos”), de 1990 e Madadayo (br.: Madadayo; pt.: Ainda Não!) de 1993.

sábado, 20 de novembro de 2010

A JARRA VAZIA

Inclinei meu coração
E foi como se tivesse deitado uma jarra
Derramando toda a água...

Uma jarra vazia, o que vale?
E esta água no chão?

Quem soube isso
Soube o amor
De Deus ou dos homens...

O amor.

Antonio Fabiano
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