Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FALAR MAL DO PAPA...

Papa Bento XVI – imagem disponível na Web.

Falar mal do papa é tão chique! É quase sinônimo de ser descolado, pra frente, ter a mente aberta. Tudo isso é o contrário de ser retrógrado, anacrônico, antiquado, o que ninguém quer ser e só o papa é, para alívio das nossas consciências limpas como roupa no varal. Ah, também é muito chique dizer que o papa é conservador! Já ouvimos isso um milhão de vezes. Antigamente dizíamos que o papa era pop e até tinha levado um tiro a queima roupa. Mas o papa de antigamente era mesmo muito pop, então ficou sem graça dizer tal coisa, porque além de óbvio não escandalizava ninguém.
Vira e mexe sai alguma notícia sobre o papa. Afinal, o papa é o papa e precisamos falar mal de alguém – tal como culpamos o sistema, execramos a corrupção, metemos a língua nessa cambada de políticos ladrões que desgovernam o país, e em seguida roubamos nós também as vassouras postas para o protesto de varrição da sujeira em Brasília. Mas não é dessa corja que eu quero falar hoje, nem dos nossos pequenos delitos de cada dia, é do papa. Só o papa pode ser culpado de tudo!
Para minha surpresa, as últimas notas da imprensa não têm sido muito hostis, ainda que haja escândalos na Igreja e tenhamos o dever de denunciá-los sempre. Há jornalistas muito sérios e cônscios de sua função, que levam em conta a ética, coisa meio fora de moda hoje, mas ainda válida para alguns. O problema começa quando não se sabe o que se diz, ou quando o que se diz é infundado e até absurdo. Digo isto porque, outro dia, me surpreendi lendo comentários de internautas a uma dessas notícias imparciais. Certamente os comentários partiam de pessoas que nem tinham lido a pequena nota da imprensa (até muito simpática), talvez só o título ou nem isso. (Muitos infelizmente têm preguiça de ler, ou leem e não entendem, porque também está em baixa o exercício da reflexão.) Talvez só tenham visto a foto – do papa com cara de bravo, é claro! – e pronto: deu-se aquela enxurrada de vitupérios contra o velhinho de branco. E, como não podia deixar de ser, ataques à Igreja, logo associada à Inquisição, coisa deveras vergonhosa e horrível, mas superchique de se dizer, coisa que deixa o falante superintelectual perante um determinado público, ainda que quem o diga só tenha visto alguns filmes de bruxas sendo queimadas, e nunca tenha estudado o assunto a fundo, como um fenômeno histórico muito mais complexo e amplo do que se pensa. Atenção: se alguém quer ser realmente superintelectual e engajado deve também mencionar os horrendos casos de pedofilia na Igreja, pois esta é uma de suas feridas mais vergonhosas e latentes na atualidade.
O fato é que alguém ou alguma instituição precisa ser culpado pelas mazelas de todo o mundo. Este alguém, de vez em quando, é o papa e a sua Igreja. Mas quais são os valores que ele defende? E por que os defende? Recentemente, uma famosa atriz de Hollywood afirmou na imprensa – com quase total certeza a partir do que ela leu em tabloides e jornais que orquestravam uma campanha difamatória contra o papa, especialmente na Europa – que “este papa alemão é um nazista”(!). Ignorava-se sua biografia, o fato de que é reconhecido até por seus adversários páreos como um dos homens mais sensatos e inteligentes da contemporaneidade, ignorava-se seus pronunciamentos de magistério e suas relações já bastante sólidas e antigas com os judeus etc. Mas nem mesmo entre os católicos, com dignas exceções, se lê o que o papa escreve ou se ouve o que ele diz. Quando muito se lê o que a imprensa diz do papa, garimpando uma ou duas pequenas frases suas descontextualizadas, mas frases que possam dar margem para se comprovar que o papa é mesmo muito antiquado e está contra tudo e contra todos.
Para encerrar esta conversa – pois estou deveras prolixo e digressivo! – voltemos ao negócio dos comentários que li na Internet. O que me espantou não foram essas bobagens medianas, repetidas há séculos sem nenhuma criatividade. Também não me espantou a incapacidade que a maioria tem de escrever uma única frase na própria língua e expressar com clareza seu pensamento, se há algum. Nem mesmo me espantou a legítima indignação de quem protesta contra os abusos cometidos por pessoas da Igreja que, afinal, deveriam dar bom exemplo e testemunho de retidão. Tampouco, a total irresponsabilidade de algumas acusações e ataques em massa à integridade do líder e da instituição bimilenar que possui centenas de milhares de pessoas idôneas em todo o mundo, a fazer caridade e um trabalho reconhecidamente sério, de assistência não só espiritual, mas na maioria das vezes simplesmente social, longe dos holofotes, aonde nunca foi sequer um desses militantes que alardeiam a revolução que mudará o mundo. O que efetivamente me espantou foi o ranger de dentes e o ódio profundo manifestado contra um único homem e o que ele representa, este que as pessoas que o odeiam mal conhecem e sequer sabem o que ele pensa e diz, e que ainda assim é posto como bode expiatório de todos os erros do orbe, orbe que nem se considera mais cristão. Se o papa e a Igreja são tão inúteis para os tempos de hoje, por que gastam tanto tempo falando dele? E se ele já não pode nada, ou o que ele diz pouco interessa, por que tudo que pronuncia tem tanta repercussão como em nenhum outro caso de liderança mundial?

Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 7 de novembro de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com

segunda-feira, 14 de março de 2011

O BÁLSAMO DE GALAAD

Fotografias de Antonio Fabiano

Há um tradicional hino (spiritual) afro-americano, cantado há séculos pelas tradições protestantes norte-americanas, que se refere a um determinado “bálsamo de Galaad”. Um bálsamo é uma substância aromática, geralmente composta de resinas, óleos de essências etc. Mas pode ser um óleo usado para alívio de dores, cura de feridas, com propriedades balsâmicas. Um bálsamo é quase sempre sinônimo de perfume, mas também, figurativamente, de consolo, de alívio...
Galaad na Bíblia – a leste do Jordão e ao norte do Jaboc – é particularmente o lugar associado a bálsamos e aromas. De fato, Galaad ou Guilead aparecerá dezenas e dezenas de vezes na Sagrada Escritura, de modo que não é um nome estranho, mas bem familiar ao conhecimento geográfico e alegórico do povo de Deus.
O spiritual a que me referi canta, portanto, que há um bálsamo em Galaad... Esse canto faz clara alusão ao Antigo Testamento. Vejamos alguns exemplos bíblicos, para ilustração do tema.
Em Gn 37,25 quando os irmãos de José o lançam na cisterna para matá-lo, assim que levantam os olhos veem passar a caravana dos ismaelitas, vinda de Galaad, com seus camelos carregados de gomas aromáticas, bálsamos e ládanos ou resinas perfumadas, rumo ao Egito. A estes mercadores, o futuro José do Egito é vendido, dando assim curso ao misterioso desígnio de Deus, que se desvelará numa das histórias mais surpreendentes da escritura santa.
Outra referência emblemática feita a Galaad, no-la encontramos no livro de Jeremias. Ali, o profeta confessa em pungente lamentação: “Sem remédio, a dor me invade, / o meu coração está doente! / Eis o grito de socorro da filha de meu povo, / de uma terra longínqua. / ‘Não está mais o Senhor em Sião? / Seu Rei não está nela? (...)’ Por causa da ferida da filha do meu povo eu fui ferido, / fiquei triste, o pavor me dominou.” (cf. Jr 8,18-21). Em meio a esse quadro de desolação se insinua o poder do misterioso bálsamo de Galaad: “Não há um bálsamo em Galaad? / Não há lá um médico? / Por que não progride / a cura da filha de meu povo?” (Jr 8,22). Essa ideia reaparece mais adiante, em Jr 46,11. Aí, enfaticamente, se dirá: “Sobe a Galaad e toma contigo [procura] o bálsamo”...
Também uma rápida visita ao Cântico dos Cânticos, o livro mais apaixonado da Bíblia, poderá nos deixar perplexos, pela incrível variedade de odores, óleos que escorrem, bálsamos, mirras, cheiros de mandrágoras, vinha... Tudo, da primeira à última página, perpassado de erotismos. Lá, mais que o vinho, nos embriagam tais perfumes!...
E o apóstolo Paulo, no Novo Testamento, nos fala do bom odor de Cristo: para ele o cristão deve exalar o perfume de Jesus.
Mas voltemos ao canto... Apesar de suas raízes estarem fincadas no Antigo Testamento, ele assumiu na boca e no coração dos negros norte-americanos uma conotação totalmente cristã, neotestamentária, estreitamente ligada ao conceito de salvação em Jesus Cristo. Canta-se, inclusive, em uma de suas mais conhecidas estrofes, o próprio Espírito Santo, que nas tradições cristãs é também associado à unção, bálsamo, óleo, poder de cura...
São inúmeras as versões deste hino, interpretadas pelas mais humildes e célebres vozes. O “Bálsamo de Galaad” tornou-se um verdadeiro clássico! Porém, refrão e estrofes podem variar muito, de acordo com o tempo e o lugar de sua execução. Aqui, transcrevo apenas o começo de uma das mais conhecidas versões:

“There is a balm in Gilead
To make the wounded whole;
There is a balm in Gilead
To heal the sin-sick soul.

Some times I feel discouraged,
And think my work’s in vain,
But then the Holy Spirit
Revives my soul again.”


Eu traduzo este trechinho da seguinte forma:

Há um bálsamo em Galaad
Capaz de curar todos os feridos.
Há um bálsamo em Galaad
Que cura toda alma enferma de pecado.

Às vezes eu me sinto cansado
E penso que meu trabalho é vão.
Mas então o Espírito Santo vem
E reaviva minha alma outra vez.

Viver é, como eu digo muitas vezes, arriscado demais!... Não se vive tanto, nem se vive de verdade, sem algumas marcas. Nossa existência é alternada por dias bons e dias não tão bons, por estações diversas (pelo menos quatro...), por momentos de felicidade, tanto quanto pela realidade do sofrimento ou da perda, dias de luto e dias de cobrir nossos farrapos com adornos de alegria! Agora é sombra ou claridade? Treva ou luz? Nossas escolhas determinarão o que ao fim se dirá da nossa existência. Pois alguém pode até encontrar razões para ser triste, mas nunca o será por falta de felicidades possíveis!
Ora, nós veremos que se chegamos até aqui (exatamente ao ponto da vida onde nos encontramos), é porque fomos além, não paramos de vez no meio do caminho, não desistimos, apesar dos cansaços. E não se vai tão longe sem muitas marcas, bolhas nos pés, feridas na alma, sofrimentos, derrotas, decepções... Tudo ao lado das muitas conquistas, alegrias, insígnias de glória, primaveras, sol, vitórias!... Em certo sentido somos, como diz o Apocalipse de São João, vencedores de muitas tribulações! Quero enfatizar “vencedores”, mas sem esta de embarcar nos trens baratos da autoajuda.
Os antigos guerreiros não se envergonhavam das cicatrizes que traziam das lutas, muito pelo contrário, orgulhavam-se delas! Também Jesus não apagou, depois da ressurreição, as marcas da cruz. Ele mostrou-as aos seus discípulos como sinal de vitória! Os que se dizem seus seguidores carregam, igualmente, pela fé as suas marcas; e, infelizmente, muitas outras. O que há em nós nem sempre é pacífica cicatriz, mas, às vezes, inflamadas chagas. E, isso, obviamente dói e precisa ser tratado! Mas não nos assombremos, aborda-se aqui a maravilhosa condição humana! Anjos não têm feridas, nem dores de dente! Humanos, sim! E o que somos? Ser anjo deve ser muito chato! Deus me livre! Ser humano é bom e já nos basta!...
Falei hoje desse misterioso bálsamo de Galaad porque, em meio às agitações do cotidiano e tsunamis da vida, talvez nos convenha parar para rever conceitos, abolir alguns dos muitos preconceitos que sustentamos (inclusive nas religiões), reconfigurar nossa visão de mundo e demais perspectivas, deixar, sempre de bem com a vida, esta mesma vida nos levar... E (re)começar a ser pessoas ainda melhores do que já somos!
Há um bálsamo em Galaad! Busquem-no! E, quando o encontrarem, dividam-no com todo mundo.

Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 14 de março de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com

-----------------------------------

“THERE IS A BALM IN GILEAD”…
(para ouvir siga os links)














Versão moderna:
http://www.youtube.com/watch?v=BN9JALQRMb0

Versão tradicional:
http://www.youtube.com/watch?v=DFMY4V7RdbU&feature=fvwrel

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Bênção da Cerveja no antigo Ritual Romano

V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit caelum et terram.

V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.

Oremus.

Bene+dic, Domine, creaturam istam cerevisiae, quam ex adipe frumenti producere dignatus es: ut sit remedium salutare humano generi, et praesta per invocationem nominis tui sancti; ut, quicumque ex ea biberint, sanitatem corpus et animae tutelam percipiant. Per Christum Dominum nostrum.

R. Amen.

Et aspergatur aqua benedicta.