segunda-feira, 1 de agosto de 2016

BONSAI (2) - OLMO-CHINÊS



OLMO-CHINÊS
(Ulmus parvifolia)
Olmo-chinês ou simplesmente ulmus. Espécie milenar bastante comum no mundo do bonsai, fácil de lidar e das mais apropriadas para iniciantes. Possui rápido crescimento, grande resistência, suporta bem intervenções e até erros! Na natureza, um olmo pode chegar a ter mais de 20 metros de altura. No período de frio hiberna, perde todas as suas folhas. Elas ficam amarelas ou douradas, antes de caírem. Depois da dormência vêm as folhas novas, verdes e brilhantes. Eu admiro muito as folhas serrilhadas do ulmeiro, são pequenas e muito bonitas! 
O olmo pode ser desfolhado em algumas circunstâncias, para dar folhas novas e menores (em especial onde não há temperaturas muito baixas no inverno e ele não perde as folhas naturalmente); mas é preciso aplicar essa técnica em tempos certos, de acordo com cada região.
Quando adquiri esta árvore, ela estava na loja de bonsai de um amigo japonês. Antes, este olmo havia pertencido a outro japonês. Tem cerca de doze anos de idade. Quando eu a vi pela primeira vez, estava em um vaso retangular que não a favorecia muito em seu desenho natural. Fiquei fascinado pela sinuosidade de seu tronco e pelo espetáculo de raízes expostas! Aliás, este é seu estilo definido: NEAGARI. Uma árvore de potencial incrível! Eu melhorei sua copa e transplantei-a para este precioso vaso Onodera. Vivaz, sem ser indiscreto e chamar muito a atenção para si, o vaso parece um belo vestido em uma linda mulher! Realça bem e se harmoniza com a planta.  
Este olmo é muito especial. Possui traços delicados, curvas perfeitas. Possui uma assimetria fascinante! É uma árvore muito elegante e de formas totalmente femininas. Por isso, inclusive, retirei-a do vaso retangular e a pus neste vaso redondo, além de que é decídua.*
Tentei trabalhar alguns aspectos de posicionamento. Ela não está plantada tão no canto, como parece. Na verdade, esta é uma ilusão proposital... A planta está "quase" no meio do vaso. (Em vasos redondos a árvore deve ser plantada rigorosamente no meio, segundo muitos, o que NÃO pode acontecer em outros tipos de vasos). Calculei este ângulo menos ortodoxo, para dar a ideia de horizonte, no lado "A" do bonsai, e ao mesmo tempo a ideia de que a árvore é menor, embora "velha", pequena porque está longe (ilusão), na montanha, se preferir.
Muito pode ser feito... Ela ainda será trabalhada por anos e anos, até chegar a algo realmente satisfatório! Bonsai é paciência... 
Estas são apenas algumas intuições ou experimentações... Como disse no início: sou amador, não tenho pretensão de expor nenhum cânon da maravilhosa arte.

Antonio Fabiano
seridoano@gmail.com

* NOTA: decídua é toda árvore caduca, caducifólia, ou seja, que perde as folhas em determinada estação. Para esse tipo de árvore, por norma ou convenção, alguns pensam que são mais adequados vasos arredondados. Em vasos redondos, geralmente, bonsais marcadamente assimétricos. Bonsais femininos quase sempre requerem vasos ovais. Caso tenha curiosidade pesquise as características próprias de bonsai masculino e feminino. Vale a pena! Mas nenhum bonsaísta deve tornar-se escravo das normas, e sim conhecê-las para agir com bom senso.

FOTOS
Na sequência das fotos, o efeito das quatro estações sobre o meu olmo-chinês. 
Das folhas velhas, passando pela queda das mesmas e dormência da árvore,
à jovem folhagem...












segunda-feira, 25 de julho de 2016

BONSAI (1)

Foto de bonsai encontrada na Web 

BONSAI
Pelo número de publicações – impressas ou virtuais – e de lojas especializadas que temos hoje em dia, além de tantos aficionados e bonsaístas, amadores ou profissionais, pode-se chegar à conclusão que esta arte tem conquistado cada vez mais espaço no Brasil.
Eu não sou bonsaísta profissional. Sou um simples amador e amante da arte de bonsai. Gosto de ler sobre o assunto e tenho uma pequena coleção de árvores. Tenho ótimos amigos bonsaístas! Ter bonsai implica ter amigos bonsaístas. Em minha opinião, bonsai ajuda a formar o caráter da pessoa, gera comunhão e respeito pela natureza, é uma arte contemplativa e, segundo alguns, verdadeira terapia! Há subjacente a essa prática, desde a sua origem na China, e depois no Japão onde atingiu o ápice, uma espiritualidade profunda, indelével, que eu não sei explicar, mas entendo sem palavras. Assim como o bonsaísta transforma a árvore, a árvore transforma o bonsaísta, dizem. O resto é silêncio... e enorme paciência!
Como ando sem assunto para o blog – na verdade estou sem um pingo de vontade ou inspiração para escrever literatura! – resolvi publicar algumas fotos e textos sobre minhas árvores miniaturizadas. Vai ser um ótimo passatempo, ao menos para mim, sempre que me sobrar tempo para bem fazê-lo! Espero que gostem deste ciclo de publicações, um pouco diferente do que normalmente exponho aqui...
Não vou discorrer sobre técnicas de bonsai e tampouco meus textos terão fins didáticos. Longe de mim, tais pretensões! Farei tudo bem simples e pessoal. Mas se alguém quiser ler algo excelente sobre esse assunto, em língua portuguesa, feito para brasileiros e pensando no cultivo de bonsai em nosso próprio país, eu sugiro em primeiro lugar os livros de Fábio Antakly Noronha. É o que de mais sério, honesto, coerente, substancial, bem escrito e belo eu li, sobre a arte de bonsai no Brasil. A mais vasta bibliografia que conheço sobre esse assunto, infelizmente não tem tradução para o português. Mas uma coisa é ler sobre bonsai no hemisfério norte e sobre técnicas que funcionam lá, outra coisa é ler sobre bonsai em nossa própria terra, clima, natureza...  
Em tempo, uma observação: alguns bonsaístas acham que é importante falar e escrever, sempre, seja para o singular ou plural, "bonsai" (ex.: o bonsai, os bonsai), porque a palavra é japonesa. Considero isso irrelevante, diferentemente de outros termos que podem e devem ser mantidos em japonês pelos bonsaístas! A palavra bonsai foi incorporada à língua portuguesa e tornou-se absolutamente comum em nossos dias. Pode, sem embargos, reger-se pela estrutura própria do nosso idioma. É mais simples, elegante e respeitoso ao país que acolhe com tanto amor esta arte.

Antonio Fabiano
seridoano@gmail.com

segunda-feira, 25 de abril de 2016

DESDE DENTRO (LIVRO & CD)

Divulgo este belo trabalho realizado em Minas Gerais. Ah, minhas Gerais, que saudade!... Sinto-me feliz de terem publicado e gravado poemas meus! Parabéns à turma pelo livro e pelo CD! Todos os fins e direitos reservados ao Fique Firme.





SOLANGE DO CARMO (ORG.)


sexta-feira, 15 de abril de 2016

O CRAVO NO PEITO

Capa © 2016 Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil

Coleção
O CRAVO NO PEITO
Antonio Fabiano

Ceia de Ano Novo —
Sabor de felicidade
Nos pratos da mãe.

Caminho da choça —
Suavidade de luz
Sobre as folhas novas.

No cimo do álamo
Uma ave solitária —
Tarde de verão.

De sutil perfume
E notável elegância:
O cravo no peito

Apenas o vento
E a minha solidão —
Noite de agosto.


BIBLIOGRAFIA: Revista Brasil Nikkei Bungaku, nº 52. Edição bilíngue: português/japonês. São Paulo: Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil, 2016, p. 28.


Capa Divulgação

quarta-feira, 13 de abril de 2016

TOC... TOC... TOC...

Foto disponível na Web

PICA-PAU

Um pica-pau rompe o silêncio de anos
Na árvore antiga...
Ao longe a tarde incendeia as montanhas.
Silhuetas dançam nelas
Em flor de fogo e vento retorcidas.
Estou cem anos mais velho
E me sinto jovem como nunca fui.
O mundo estala no jardim de casa.
É a natureza e sou eu
No coração desta árvore a bater
– toc... toc... toc...
Ó flama viva!
A noite cai pequena
Sobre os meus bonsais.

Antonio Fabiano