segunda-feira, 22 de agosto de 2016

BONSAI (5) - IPÊ



BONSAI DE IPÊ
IPÊ-AMARELO
(Tabebuia sp.)

Embora seja uma das mais lindas árvores, o ipê tem sido cultivado como bonsai apenas de maneira recente, e somente aqui no Brasil de onde é nativo. Por isso, as informações são escassas. Talvez daqui a algum tempo tenhamos conhecimentos mais precisos a respeito da arte de bonsai sobre ipês.
Os ipês são um grupo de nove ou dez espécies, com características relativamente semelhantes, que dão flores amarelas, brancas, róseas ou roxas. São decíduos, perdem as folhas em determinada época do ano.
Por sua constituição anatômica, um ipê é mais indicado para bonsai de tamanho grande ou gigante. E, segundo alguns bonsaístas, adequa-se bem aos estilos “vassoura” ou “troncos múltiplos”. Isso não significa, entretanto, que não possa ser trabalhado em outros tamanhos e estilos. O meu, por exemplo, tem tamanho clássico e seu estilo é MOYOGI, de tronco sinuoso, tortuoso.
A espécie é caducifólia, como já foi dito, e a queda das folhas é simultânea ou precede a floração. Bonsais de ipê-amarelo podem levar cerca de três meses entre a queda das folhas, floração e a produção de sementes, o que normalmente ocorre do final do inverno ao início da primavera. Na natureza ele perde as folhas em agosto, no auge da seca, e depois das flores vêm as folhas novas. No entanto, devido às mudanças climáticas pode sofrer variações. Uma vez que floresce no final do inverno, recebe a influência do mesmo. Isso significa que quanto mais seco e frio for o inverno, mais intensa será a sua floração. Não é comum que floresçam todos os anos, quando em vaso. Aliás, é bem difícil! Devido às regas constantes e demais cuidados, nem sempre será possível o aparecimento das flores, uma vez que em bonsai eles não sofrem as agressivas adversidades naturais necessárias à espécie para desencadear a floração. É mais ou menos assim, dito de modo simples: na natureza, no ápice da seca do inverno, ele "pensa" que vai morrer; então, como um último canto de cisne, enche-se de flores para dar frutos e sementes, no intuito de salvar, perpetuar a espécie. Por outro lado, em vaso, cheio de mordomias e paparicado de cuidados, fica preguiçoso. E, de fato, não convém que se negligencie o mínimo cuidado necessário à árvore envasada. Um pequeno descuido, em dias ou horas pode arruinar para sempre seu lindo bonsai. 
As flores lanceoladas e os frutos que lembram vargens podem ser desproporcionais à árvore miniaturizada, fazendo com que o resultado não seja “realista”. Por isso se disse que o ipê é mais indicado para bonsais grandes ou gigantes. Além disso, suas folhas são compostas, os folíolos apresentam-se geralmente em número de cinco. Isso dificulta a poda, e as folhas não se comportam como em outras espécies em que, por exemplo, folhas grandes podem ser removidas em épocas estratégicas para se trabalhar a diminuição das mesmas ou a proporcionalidade. 
Conversei bastante com amigos bonsaístas de outras regiões do país, os quais têm ipês em vaso. Fiz sempre muitas perguntas, para aprender com eles. Há dificuldades comuns, mas todos gostam muito de seus ipês. Se esses dados desafiam o bonsaísta, nada disso, porém, diminui a beleza e o encanto do ipê, sobretudo ao ser bem trabalhado e respeitado em suas potencialidades. 
Talvez seja isso o que mais me fascina nos bonsais de ipê, tal insubordinação de espírito e a irredutível beleza, a um só tempo delicada e bruta! Os bonsais de ipês são um verdadeiro encanto! São muito valiosos. Eu já os vi de ipês-amarelos e ipês-roxos e, contrariando toda expectativa, até mame... (aqueles pequeníssimos que cabem todinho na palma de sua mão). 
O ipê pode ficar a sol pleno, este não queimará suas folhas. Quanto mais insolação, melhor! O sol reduz o tamanho das folhas. Mas isso não significa que devamos expô-lo ao sol escaldante do verão, nas horas de ápice. Sobretudo se está em vaso pequeno, onde logo secará o substrato. O bonsai de ipê precisa do mesmo cuidado básico dispensado a qualquer bonsai nessa estação. Deve sempre ficar em lugar aberto, ventilado e com boa iluminação. De vez em quando devemos mudar sua posição, pois o lado que toma mais sol tem crescimento diferente do que recebe menos luz.
Transplante e poda de raízes podem acontecer no começo da primavera, em setembro, a cada ciclo de dois ou três anos.
Também esta árvore inspirou muitos poetas! Você sabia que ela é oficialmente a árvore nacional do Brasil?
Faço um apelo ao final deste artigo... Adquira mudas de ipê, da cor que você preferir, e plante em sua cidade ou em seu sítio! As gerações futuras agradecerão! Ninguém fica indiferente em face de um grande e velho ipê florido... é uma das maravilhas naturais deste planeta! Alguém ousa negar?

Antonio Fabiano
seridoano@gmail.com

* * *

CURIOSIDADE:
"Ipê é palavra de origem tupi, significa árvore cascuda. No Norte, Leste e Nordeste do Brasil, é mais conhecido como pau-d'arco, pois os índios usavam sua madeira para fazer arco e flecha; no Pantanal, é conhecido como peúva, também do tupi, árvore da casca; e, em regiões de Minas Gerais e Goiás, como ipeúna (do tupi, una = preto). Na Argentina e no Paraguai ele é chamado de lapacho."

FOTOS

Ipê-amarelo


Sem folhas no inverno...

Com folhas novas...


Trabalho de tração...

Copa

Aramagem...

Sem poda... 


Cadê a flor?


Que beleza de vaso!

Lua... vento... pássaro... flor...


Todas as fotos são de meu bonsai em anos e estações diferentes. 
VASOS: branco hexagonal (desconheço autoria); de flor, Jorge Ribas; verde, Izumi, com inscrição japonesa.

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