segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O CIRCO

Óleo sobre tela: "Circo Pinote" (2010) de Assis Costa.

Do cruzeiro vi o circo, ouvi a música, o grito da criançada que descia em bando da escola para o espetáculo. Bandeiras dançavam sapecas, convidando à diversão. Do cruzeiro vi o circo, maior que o mundo, e a cidade que se apequenava àquela hora do dia. Depois mais gritos de euforia da meninada, dos anos que um dia não voltarão.
Suponho que haja um palhaço sobre o palco, roubando a cena de tudo que seja grande ou pequeno. Daqui posso ouvi-los rindo. Eu também rio, rio, rio quase mar. Mas mar não, mar não que mar não tem Minas, onde estou p’ra quase sempre...
O palhaço, ah, este sim, suponho! Lá. Escondido sob tintas, talvez triste ou realmente alegre.
...
Quando eu era pequeno de verdade fui ao circo, certa vez. Não é de hoje esta coisa de amar a arte circense, circos me fascinam desde muito! Era um circo pobrezinho, destes que vão ao interior e um dia voltam. Tinha dançarina que, embora vulgar, era mais bela e princesa que todas as belas e princesas do mundo! Com ela, nós meninos sonhávamos coisas impossíveis...
Tinha também palhaço (olha ele aqui outra vez!). E quem não ria? Uma vez descobriu Raimunda na arquibancada e fez rimas absurdas!...
Tão bom, o circo! Agora olho-o de fora, com relembrança de tudo! De cima e sem soberba encaro-o, mais alto que as bandeiras que me acenam glaciais. Tão alto que até penso que sou trapezista, dependurado das nuvens, da grande cobertura azul do mundo que também é circo!
Mas não, não sou trapezista! Sou palhaço, talvez deslocado e fora de meu circo, mas palhaço!
Lá dentro, no outro circo, descem as cortinas, sobem os aplausos, em meio à agitação da criançada.
Por acaso bolhas de sabão nascem para o chão?
Hoje tem espetáculo! Tem sim, senhor!...

Antonio Fabiano
Belo Horizonte, 1º de agosto de 2011.
Blog: www.antoniofabiano.blogspot.com
E-mail: seridoano@gmail.com
-------------------------------------------------
Para Wescley J. Gama

2 comentários:

  1. Jaécia Bezerra de Brito2 de agosto de 2011 23:08

    Embaixo da lona o palhaço perde o direito de chorar, encontra a bailarina e nas desilusões encaram a vida suando tristezas e alegrias; uma hora se reencontram consigo mesmos e saboreiam a quentura da lona do circo, onde ainda, a vida é mais gostosa.

    ResponderExcluir
  2. Adorei sua crônica, me inspira a criar algo ainda melhor. Sempre que quizer pode ilustrar suas composições com meu trabalho, pra mim é uma honra e um privilégio.

    ResponderExcluir