O Luar branco, um riso de Jesus,
Inunda a minha rua toda inteira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
A sacudir as pétalas de luz...
O Luar é uma lenda de balada
Das que avozinhas contam à lareira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
Que jaz na minha rua desfolhada...
O Luar vem cansado, vem de longe,
Vem casar-se co’a Terra, a feiticeira
Que enlouqueceu d’amor o pobre monge...
O Luar empalidece de cansado...
E a Noite é uma flor de laranjeira
A perfumar o místico noivado!...
30/4/1917
Florbela Espanca
Trocando Olhares (1915-1917)
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